O que Theodore Finch me ensinou e pode ensinar para você

O que Theodore Finch me ensinou e pode ensinar para você

Aonde iria se pudesse escolher?

Um filme perturbador, reflexivo e sensível que contém gatilhos do quais envolvem assuntos delicados, mas sem dúvida vale muito a pena assistir, pois toca seu coração do início ao fim. Acredito que todos os envolvidos no filme transparecem verdade, sintonia e acolhimento. O diretor trabalhou de forma bem delicada assuntos complexos como: depressão, transtornos alimentares, TAG, luto, suicídio, bullying de maneira única fazendo o telespectador se emocionar como nunca jamais se emocionou.

O personagem Theodore Finch, interpretado por Justice Smith, foi para mim o que mais mexeu comigo. Não consigo encontrar uma palavra para este personagem que me fez refletir bastante sobre todos os jovens do mundo. Logo de início, já chama muito atenção por Theodore não ser o clichê de todo filme de romance, ele se apresenta como personagem principal, e por sê-lo não é o popular, não tem todas as garotas aos seus pés, o melhor carro, a melhor família, não é o cara que precisa ser regenerado pela mocinha principal. Finch nos mostra que é real, com seus defeitos e qualidades, que assim como nós, precisamos de terapia, mas que poucos recorrem a isso.

Ter coragem. Estar desperto. Você consegue se enxergar?

Palavras clichês, não é? Mas pode ter certeza que podemos tiramos grandes lições. São elas:

É mais difícil calar a dor do que falar onde dói

Vemos no decorrer do filme todas as pessoas com seus medos, anseios, desejos e vontades, mas o ponto central é que enquanto um sofre com a ausência da dor o outro sofre com o excesso dela, mas por não saber compreender acaba guardando dentro si, e em alguns casos, isolam o outro por não saber entendê-lo. Não podemos esquecer que cada um tem um jeito diferente de lidar com a dor. Por isso, para mim, foi angustiante ver que a dor do Finch é negligenciada, não assimilada e mal interpretada. Os próprios amigos não sabem como ajudá-lo e aceitam quando o mesmo diz que “está tudo bem”.

2. Está tudo bem. E o que não está bem?

Somos tratados de forma mecânica e desumanizada com a expressão “está tudo bem”, somos levados a aceitar e nunca questionar. Muitos acreditam que o sorriso no rosto é a resposta para uma vida tranquila, equilibrada e saudável. A medida que vamos crescendo, o tudo bem não é mais tudo bem e sim uma forma de esconder toda a dor que sentimos por não sermos compreendidos, por isso que é essencial terapia. É primordial saber que nós, seres humanos, temos muitas camadas e que não somos perfeitos na gestão das nossas emoções. Há uma frase marcante no livro e que foi interpretada pelo personagem do filme na maneira de sentir que me impactou:

“A melhor coisa a fazer é não falar o que realmente pensamos. Se não falamos nada, as pessoas concluem que não estamos pensando em nada além do que deixamos que elas vejam.”

Discordo e é essencial que as pessoas, principalmente os jovens, saibam que precisamos falar o que pensamos, pois todo pensamento gera uma emoção. O que o outro ver não é nem metade do que sentimos.

3. Aprecie os pequenos momentos

Não é a toa que o filme e o livro se chama “Por Lugares Incríveis”, não é? Aprender a apreciar a simplicidade, sentir prazer pelos momentos que passamos ao lado de quem amamos, não perder tempo em apontar os erros dos outros e sim melhorar os nossos e que vale muito a pena viver vendo que felicidade não está no outro e sim em si mesmo, é meus amigos, esse é o grande momento do filme.

“Aprendi que existem coisas boas no mundo, se você procurar por elas. Aprendi que nem todo mundo é uma decepção, incluindo eu mesmo, e que um salto a 383 metros de altura pode parecer mais alto que uma torre de sino se você estiver ao lado da pessoa certa.”

4. Se questione. Nunca deixa de questionar o que você sente e pensa

Por favor, não tenham medo. Não se isolem, não fujam, não escondam seus sentimentos, seus pensamentos e seu jeito. Eu sei que praticar o amor próprio não é fácil e ser paciente é um desafio.

Não existe fase de adolescente. Não existe idade terrível. Não existe drama. Isso é real, somos impulsionado pelo medo do julgamento. Oscilações de humor não são hormônios, é desequilíbrio emocional. Sorrir, namorar, brincar, sair, conversar, pode parecer normal para quem tem rebeldia, mas isso é mais profundo.

Muitos sofrem por ser diferentes, por acreditar que não são normais na maneira de ser. O sorriso não é só de felicidade, mas pode ser de dor. Fique atento aos sinais, você não precisa ser expert, proteger demais, pressionar, bajular, você só precisa ser empático.

“É mais fácil fazer a coisa certa desde o início para que não tenha que pedir desculpas depois.”

Pode ser fácil, mas nem sempre vamos fazer a coisa certa, somos humanos e sempre vamos errar em algo para aprender com os nossos erros. Pedir desculpas não é fraqueza, não é covardia, é sinal de que você aprendeu com o erro que causou e não irá fazer mais.

“Ficar pedindo desculpa é perda de tempo. Você tem que viver sem arrependimentos.”

Viver sem arrependimentos é o mesmo que viver e só ter existido. Você vai se arrepender de algo, pois nossos arrependimentos são frutos das escolhas erradas que fazemos. Se arrepender de algo é se desculpar com você, com seu tempo e com seus sentimentos. Perdão não é sinal de fraqueza e sim de ser grato não só com o outro, mas com você e com a vida.

Enfim, são lições que nunca devemos esquecer. O livro foi tocante, mas o filme foi bem elaborado, ele acertou em não romantizar a depressão e o comportamento suicida, acertaram na forma de tratar nossa saúde mental e de como ela é importante e que devemos debater mais sobre isso no nosso círculo social.

IMPORTANTE!

A depressão está tirando muito a vida dos jovens. Por favor, procure ajuda ou ligue para 188. Você pode salvar uma vida, a sua!

*****SPOILER*******

Finch salvou a vida de alguém, talvez pelo fato de já está afogado em si mesmo e não conseguir salvar a sua, então fique atento aos sinais.

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