A origem da carência emocional.

A carência profunda que sentimos por vezes, tem origem na falta de amor, atenção e aprovação, sentida pela criança que fomos em relação aos progenitores. Isso pode não ter sido realmente assim, mas foi percepcionado dessa maneira. Um pai ou mãe ausentes de alguma forma e a criança que fomos gravou aquela falta. Ela não foi capaz de obter esse amor, essa atenção, esse suporte...e isso tem consequências ainda hoje. Hoje, ela ainda procura realizar esse desejo, concretizar essa necessidade profunda. Essa necessidade que a deixou insegura, que a fez sentir-se incapaz de conquistar esse amor que naquele momento era tão importante.

Nessa época, o seu valor como pessoa estava espelhado nos olhos dos pais. Na atenção obtida, na validação, nos elogios, incentivos e foram esses estímulos percepcionados que formaram a sua noção de valor. Foi também esse amor recebido dos pais que permitiu construir o amor por si própria na mesma medida.

Infelizmente, a maior parte de nós, de alguma forma sofreu ausência desses estímulos. Alguns perderam os progenitores, outros estavam ausentes por motivos de trabalho, de doença e muitos outros...

Alguns de nós, diria, alguns mais sensíveis, ficaram gravemente marcados e ainda hoje transportam essa falta interiormente e por consequência nas suas vidas e nos seus relacionamentos.

A criança carente e com pouco amor próprio ainda está latente. Sempre que há um estímulo semelhante àquele sentido nessa época, ela volta. O estímulo é algo que vem reproduzir as mesmas circunstâncias da época... uma falta de atenção, ausência de validação, de suporte, de amor...

Nessas ocasiões ela volta para tentar concretizar o que lá atrás não foi capaz. Ela tenta desta vez ser vista, ser atendida, ser amada e validada. E essa falta, essa carência volta com a toda a força. Essa carência espera preenchimento, e a criança em nós faz tudo para obtê-lo. Ela desperta e vai chamar a atenção daquele que é agora o representante do passado. Esse homem, essa mulher passam a ser como o pai ou a mãe que não foram "conquistados". Ela quer a todo o custo conquistar, ser vista e amada. Quando isso não acontece, a carência aumenta ainda mais. A dor de não ser capaz de ser amada, escolhida, atendida... Aumenta a carência e a sensação de incapacidade, trazendo também muita insegurança.

Isso não vai parar até ao dia em que formos capazes de observar essa criança em nós a querer atenção, a reagir. E não vai parar até tomarmos consciência de que essa carência não vai ser preenchida por esse homem ou mulher que agora se apresentam. Ela vai ser preenchida pela energia da nossa mãe e do nosso pai. Eles precisam ser chamados interiormente nesse momento. São eles que buscamos eternamente. E num sentido mais lato eu diria que o que buscamos são a nossa mãe e pai divinos. Os nossos criadores. São eles que podem preencher esse vazio de amor em nós.

Observar a nossa carência, observar a nossa vontade de chamar a atenção. Mas desta vez não agir de acordo com isso. Apenas observar sem agir. E então chamar energeticamente o pai, a mãe, aquele que realmente procuramos e pedir que nos preencham disso que estamos à procura. É um trabalho interior, de tomada de consciência e mudança de atitude. Pouco a pouco essa energia vai tomando espaço em nós e preenchendo o que estava em falta.

Esse é o caminho de regresso ao amor.

Ao amor que nasce dentro de nós. Da nossa integridade. De sermos Pai, Mãe e filha/o. De sermos inteiros, preenchidos da energia de Pai e Mãe e de sermos filhas/os reconhecidos e amados. E isso não precisa de acontecer na fisicalidade com os progenitores, pode e deve ser feito interiormente.

Que possam todas as crianças ser preenchidas do amor incondicional e eterno dos seus progenitores e que possam todos os corações serem fonte de amor universal a derramar bênçãos sobre o planeta Terra e alegrar todos os dias do resto das nossas vidas.

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