Tempo na Psicoterapia

Tempo na Psicoterapia

O tempo na psicoterapia é tempo que pára para reagir o que não se pôde falar, sentir, agir, transformar. Eu, a psicoterapeuta, sigo o tempo de quem? Do Relógio, do cronos implacável? Tempo da dor, que descama cada conflito, frustração, morte não superada, cada raiva não berrada? Tempo da tristeza pesada no ar, que cai em gotícula de cada sentimento não-dito? Tempo que castiga as peles, as expectativas em ruínas, das despedidas que não puderam ocorrer? Sigo qual tempo? Tempo das histórias mal-resolvidas, dos choros sufocados, das exclusões por ser quem se é? Tempo do cliente, da sala, da mobília que estamos, dos quadros que nos espreitam? Tempo do pagamento, do dinheiro recebido, do PIX incluído? Tempo da internet que ondula, por vezes mareja tranquila, por vezes esvazia logo quando o outro vem justamente seu segredo mais recôndito desvelar? Como se volta para o tempo da conexão perdida, se o sentir não volta atrás? Se o tempo seria meu, já me perdi: passamos 10 ou 30 minutos aqui? Se o tempo for do outro, só me resta é acompanhar o tempo do seu próprio tempo de encapsular e bater de asas quando puder? Se o tempo é nosso, já não respondo por previsões, certezas, planejamentos fechados, conservados. Se o tempo é do encontro terapêutico, zelo por cuidar, temo em não conseguir dar conta, questiono as paradas e seguimentos, mas mais que tudo: que esse tempo termine (em alta!) para que nos possamos despedir desse momentâneo tempo de caminhada juntos e que eu fique para vê-lo pulsar em sua própria Jornada da Vida... no tempo que só a Vida vai dizer por quanto tempo será!!

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