CRP-12 participa do XIII Encontro Catarinense de Saúde Mental, VI Congresso Brasileiro de Cognição e IV Jornada Brasileira de Neuropsicologia

CRP-12 participa do XIII Encontro Catarinense de Saúde Mental, VI Congresso Brasileiro de Cognição e IV Jornada Brasileira de Neuropsicologia

Em parceria com o Grupo de Pesquisas em Políticas Públicas de Saúde Mental (GPPS/UFSC), o Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina (CRP-12) apoiou o XIII Encontro Catarinense de Saúde Mental, VI Congresso Brasileiro de Cognição e IV Jornada Brasileira de Neuropsicologia.

O evento on-line foi realizado nos dias 21 e 23 de outubro e contou com palestras, oficinas e minicursos. A realização conjunta destes eventos promove o debate no âmbito da pesquisa, ensino, avaliação e intervenção/reabilitação.

Rafael Frasson, presidente do CRP-12, abriu o evento às 9h da quinta-feira, dia 21, e agradeceu a participação dos congressistas e palestrantes. 
No mesmo dia, a partir das 13h, teve início o minicurso "Inteligência Artificial e Cognição", ministrado por Alessandro Vieira dos Reis, pesquisador da Fundação Certi.  

Formado pela UFSC, mestre em Design e Expressão Gráfica, com oito anos de experiência como Game Designer e Analista de Usabilidade, Alessandro Vieira dos Reis falou de diferentes aplicações do machine learning, tecnologias que se utilizam de dados para reproduzir padrões humanos. Como exemplo, o especialista destacou os algoritmos de preferências utilizado pela Netflix, que aprende com o passado para presumir o que deve se repetir no futuro para o usuário em específico."No caso da psicologia, o uso do machine learning pode apoiar em processos e tomadas de decisões do profissional, sem que isso signifique tirar a autonomia. No fim, a decisão ainda será sua", disse o autor da dissertação "Interfaces tangíveis em simuladores veiculares: componentes para um protocolo de avaliação de usabilidade".

Para respaldar tal conclusão, o pesquisador mostrou uma pesquisa de 2013, da Universidade de Oxford, que apontava um risco de 0,43% sobre a hipótese do psicólogo ser substituído por uma máquina, seja um chat bot no atendimento de um site ou mesmo um robô. Ao mesmo tempo, Alessandro disse haver uma escassez de bibliografia que relacione machine learning à prática profissional. Em seguida, destacou alguns materiais à disposição dos profissionais que querem se aprofundar no tema. "É importante ter em mente que a qualidade dos dados fornecidos à máquina é que determina a qualidade de aprendizagem e da aplicação deste recurso. Entender os dados que formarão o padrão e o entendimento da realidade é fundamental, nesse sentido", disse.


Também na quinta-feira, entre 16h e 18h, Cristiani dos Santos, colaboradora da Comissão de Psicologia e Saúde (CPS/CRP-12), promoveu a oficina "Ensinando atividade com idosos". 

Com especialização em gerontologia, a psicóloga mostrou como sua carreira se desenvolveu para esta área de atuação e compartilhou algumas experiências que teve para lidar com os transtornos mais comuns da psicogerontologia, como sequela de AVC, demências, ansiedade, Alzheimer, depressão, bipolaridade, esquizofrenia e paranoia. "Muitos idosos envelhecem mal, sem saúde e ainda sofrem com preconceitos da sociedade. Com algum tipo de transtorno, pode ficar ainda mais difícil para quem acompanha", observou Cristiani. "Percebemos que músicas da infância, combinadas com uma caixinha de perguntas, ajudavam a acalmar pacientes com Alzheimer", disse. Além da musicoterapia, Cristiani dos Santos citou benefícios que observou ao empregar dança, exercícios respiratórios, jogos de memória e até cão terapia no trabalho com os idosos.

Outra participação de destaque do CRP-12 no XIII Encontro Catarinense de Saúde Mental abriu os trabalhos do sábado, no dia 23 de outubro. Para falar sobre "Cognição, autismo e empatia nos neurônios-espelho", participaram da mesa redonda Samira Schultz Mansur (UFSC) e Marcia Regina Valiati (UFPR), com mediação de Mariana Nora (CRP-12).

Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFPR, com especialização em Educação Especial e Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcia Regina Valiati colabora atualmente em projetos de extensão no Centro de Neuropediatria do Hospital de Clínicas. Além disso, é professora em cursos de pós-graduação, com aulas voltadas para temas como educação especial, neurologia infantil, problemas de aprendizagem, TDAH, autismo e motricidade.

Já Samira Schultz Mansur é doutora em Neurociências pela UFSC, com mestrado em Ciências do Movimento Humano (UDESC) e atua como professora de Anatomia no Departamento de Ciências Morfológicas da UFSC e coordena o projeto de extensão "Neurociência, Cinema e Literatura".

Durante a mesa redonda, Marcia, que também é presidente da ABNEPI-SC, abordou a questão do Transtorno do Aspecto Autista sob o aspecto do diagnóstico e acompanhamento. "Se descoberto no início, o tratamento é melhor, mas o desenvolvimento do quadro muda de pessoa para pessoa. Ou seja, não existe um manual de instrução para lidar, já que os sintomas variam em grau, intensidade e formas", pontuou.

Para a especialista, é preciso compreender o paciente dentro de um contexto, observando fases, rotinas, nível de desenvolvimento e estímulos que possam auxiliar no acompanhamento. "Autismo não pode ser visto somente na perspectiva biológica, mas também social e cultural", destacou.

Em seguida, a Dra. Samira trouxe ao debate o papel dos neurônios-espelho para falar de empatia. No início da fala, ela compartilhou trechos da obra "Cupido e Psique", de 1473, do renascentista Del Selaio, para abordar os diferentes sentimentos que o artista produz nos espectadores. "A empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro, apareceu na literatura neurocientífica em 1967. Depois, expandiu-se para outras áreas, atendendo a necessidades individuais, inclusive para sensibilização do profissional diante das mudanças diárias do paciente", comentou.

A doutora defende que a empatia pode ser aprendida, treinada e regulada por meio da arte, seja se colocando no lugar do artista ou através da imitação, com estímulo ao desenvolvimento dos chamados "neurônios-espelho". "O espelhamento aumenta a compreensão emocional e empática, através da percepção da intenção do outro. Neste sentido, a arte é uma alternativa para desenvolver habilidades empáticas, inclusive para tratamentos clínicos e cognitivos", concluiu.

 

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