Psicólogo é tudo igual?

Quando precisamos ir a um médico, uma das primeiras coisas que nos perguntam é: qual especialidade você quer agendar a consulta?

A ciência e a clínica médica evoluiu tanto ao longo do tempo que são diversos os níveis de especialidades. Será muito pouco provável que alguém agende uma consulta com um ortopedista para tratar uma dor de garganta. Ainda que o ortopedista também seja um médico e tenha plenas condições de tratar a dor de garganta, ele não terá o nível de propriedade e aprofundamento que um otorrino.

De forma similar, existem diferentes “especialidades” na psicologia clínica. Apesar de que todos têm o mesmo objetivo – a saúde mental e bem estar do paciente -, os métodos, técnicas e referenciais teóricos diferenciam dentre estas áreas de especialidade. Porém, esta é uma informação que pouca gente do público em geral conhece.

Ao olharmos para os aspectos históricos e conceituais das psicoterapias, podemos determinar diferentes momentos de suma importância para a criação de diversas linhas de estudos na psicologia e nas psicoterapias.

O primeiro deles é o Determinismo Psíquico, criado na Europa, oriundo das práticas de Sigmund Freud com a criação da Psicanálise, por volta dos anos 1890. Para Freud, o funcionamento e os processos mentais das pessoas eram oriundos das forças do inconsciente. Assim, todo comportamento demonstrado por alguém tinha em sua origem uma determinada causa inconsciente, motivo pelo qual o movimento passou a ser chamado de “Determinismo Psíquico.”

O segundo deles é o Determinismo Ambiental, criado nos EUA, oriundo dos estudos de comportamentalismo (behaviorismo) de Watson e Skinner, por volta dos anos 1920 e 1945. Para os comportamentalistas (behavioristas), os relatos e observações de processos mentais descritos por Freud não tinham caráter científico, uma vez que não podiam ser mensurados e comprovados. Para eles, todo comportamento demonstrado por alguém tinha em sua origem as influências que o ambiente exercia sobre o indivíduo, e não forças determinadas do inconsciente, pois tais influências do ambiente poderiam ser mensuradas e comprovadas cientificamente.

O terceiro deles é o Humanismo, criado também nos EUA, oriundo dos estudos e práticas e Carl Rogers, por volta de 1950. Para o humanismo, a possibilidade da pessoa de tomar decisões e ser responsável por tais decisões estava no cerne da questão. O homem e a consciência de sua tomada de decisão, mais do que as causas inconscientes de Freud ou as influências do ambiente de Watson e Skinner, era o principal fator a ser considerado.

Ao longo dos anos, diversos nomes importantes como John Bowlby e Albert Bandura foram fundamentais para o desenvolvimento de estudos, teorias e modelos que propunham uma maior aproximação dentre os polos divergentes da Psicanálise de Freud, do Comportamentalismo de Skinner e do Humanismo de Rogers, o que possibilitou o desenvolvimento de novos modelos psicoterápicos integrativos que consideram o homem em toda sua totalidade.

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