Qual será nosso papel em relação a Pandemia das Sombras?

Qual será nosso papel em relação a Pandemia das Sombras?

 

Quando pensamos na infância, imediatamente, nosso imaginário nos traz a imagem de crianças brincando e tendo um desenvolvimento que garanta a outras etapas níveis de sustentação que as faça resilientes frente as intempéries da vida. Infelizmente, não é bem assim, afinal, os impactos relacionados a saúde emocional de nossas crianças, principalmente, neste cenário de uma pandemia que se prolonga por tempo indeterminado, tem imposto perdas imensuráveis, desde a liberdade, restrita em decorrência dos isolamentos e políticas de lockdown que “visavam conter o avanço das contaminações pela SarsCov2 e suas variantes”, bem como o impacto relacionado a saúde mental.

Em relação a saúde mental, não resta dúvida, já podemos definir um porvir que irá requer elevados cuidados e investimentos, pois, as repercussões, se não tratadas, trarão uma realidade nunca antes vista, cujos impactos, são imensuráveis.

As crianças, emocionalmente, apresentam alterações de humor, quadros depressivos, cujos sinais e sintomas, observados nos consultórios, quando acompanhadas pelos pais ou responsáveis, apontam, no momento, incapacidade em relacionarem-se, pois, segundo a fala de muitas delas, bem como, determinados instrumentos de avaliação, indicam, além do medo em contaminarem-se, a angústia relacionada ao luto, em virtude das perdas de pais, tios, avós e outros familiares. É uma dor imensurável, quando elas conseguem, ou com suas próprias palavras ou outras atividades, expressarem-se. Elas desabam em lágrimas, num choro muito sofrido, outras, em reações que requerem dos psicoterapeutas elevada habilidade e conhecimento, de forma que reconheçamos seus mecanismos de defesa e possibilitemos a continuidade do processo, sendo muito comum que algumas, nas próximas sessões, apresentem resistências ao setting terapêutico, bem como, transferências envolta a diversas manifestações, entre elas, o ódio, referente a precocidade e a dor do trauma.

Em meio a tamanha angústia, outros tantos sinais são observados, sendo os sintomas , relacionados aos déficits de memória e atenção, irritabilidade, respostas curtas ou as vezes próprias a suas dores, onde expressam-se com intensidade ou raiva , ou mesmo, em suas falas expressem um grande desalento pelas suas vidas, sendo, em alguns casos, falas relacionadas a possibilidades de autoextermínio e diversas outras condições próprias as suas dores e graves perdas afetivas.

Cabe a nós, psicoterapeutas, acolher a angústia de quem manifesta todas as formas traumas, estimulando o campo da externalização das dores, sempre livres, sejam as falas propostas em suas mais variadas formas, até mesmo, a necessidade do silêncio e da quietude como complexidade da subjetividade da criança em relação a sua angústia e seu desencanto, permitindo,que a mesma, encontre o suporte necessário para que possa se posicionar frente ao trauma, em estruturar suas emoções e percepções, frente a condição em viver em si imagens que não mais possam abraçar ou acalentar, mas, possam, sempre, ser o que cada uma constituirá em relação a resignificação dos papéis das figuras objetais precocemente mortas.

Psicólogo Marcus Fleury

www.psifleury.com.br

whatsapp:(62) 98191-5133

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