O que é a loucura

Após assistir ao documentário “Os mestres Loucos”, fiquei com a sólida ideia que a tribo relatada era de alienados. Não descansei. Coloquei-me a filosofar sobre a questão da loucura intrinsicamente. Seria um construto antropológico? Um desequilíbrio químico? Uma forma de julgar preceitos?

A resposta é complexa. Para entendermos a loucura, precisamos compreender a sanidade. A sanidade é um “status quo” perene? Não creio nisso. Inferindo que a sanidade pressupõe a funcionalidade, somos afetados em algum momento da vida, sendo portanto loucos intermitentes.

A análise é válida quando atravessamos a pandiagnose de transtornos mentais. Os segregados de Foucault, em “A História da Loucura”, seriam a maioria, criando uma relação sanidade/loucura às avessas.

Concluo que os insanos de fato, só são loucos para nós. Os quais são segregados nos leprosários virtuais contemporâneos, mesmo que subconscientemente.

Temo que meu fim seja como em “O Alienista” de Machado. Tal cuidado com o vício diagnóstico, com a ditadura da categorização e da análise de qualquer palavra, expressão facial ou corporal podem não ser suficiente para evitar o fatídico fim. Será que a “Casa Verde” não pode ser minha “pasárgada”?

Nós, encavernados em telas, não almejamos, mesmo que inconscientes, a clausura?

Não obstante vale a ressalva: a sanidade pode ser o aprisionamento e a loucura a liberdade. Não se é louco. Está louco.