Espiritualidade - A alegria de não ser D'us

Espiritualidade - A alegria de não ser D'us

‘’Si comprehendis, non est Deus’’ (Se o entendes [plenamente], não é Deus, Santo Agostinho). Buber afirma que aquilo com que nós nos relacionamos como ‘’objeto’’ não é nem pode ser D’us. D’us só pode ser experimentado numa relação pessoal; o protótipo dessa relação é a oração.

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D‘us só começará a falar através das nossas vidas com uma condição: que abandonemos o ‘’trono de D’us’’ por nós ocupado, de forma consciente ou inconsciente – porque está tão distante do lugar que nos foi atribuído, que a voz que se nos dirige, chamando por nós, não foi atribuído, não o consegue alcançar. Enquanto brincarmos, fingindo ser D’us, ou colocarmos algo no seu lugar, adorando-o como deus, não poderemos encontrar D’us. ‘’Se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração’’, apela o salmista.

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Estou aprendendo a largar alegremente as coisas e a tomar consciência de que ‘’uma pessoa não pode ser tudo’’; só D’us é um ser que aplica plenamente todas as suas potencialidades. É um alívio ser capaz de me deitar para dormir, depois de ter colocado o meu dia, mediante a oração, nas mãos de D’us, tendo-lhe restituído os que estão próximos e afastados de mim, e o meu dia de amanhã, sim, o mundo inteiro, incluindo a minúscula porção dele que é confiada à minha responsabilidade. E isso serei capaz de entregar plenamente a Ele. Que alívio, penso para comigo à beira de adormecer, quando ‘’largo o mundo’’; que liberdade, que alegria... eu não ser D’us!

(By Tomás Halík)

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