Terapia Cognitivo Comportamental

A Terapia Cognitivo Comportamental pode ser utilizada como uma importante ferramenta em casos de depressão, tendo em vista que a doença possui um alto impacto na vida do indivíduo e de seus familiares. Existe uma grande diversidade de formas de tratamento para problemas psicológicos, de ansiedade e depressão, pelo que é compreensível que as pessoas sintam alguma confusão e insegurança na altura de escolher um psicólogo, do seu estilo pessoal de abordar os problemas, de qual o tipo de intervenção que irá gostar mais ou do também um tipo de “terapia” que seja a mais útil e eficaz.

A terapia comportamental surgiu em países nos quais, durante séculos, uma segregação rígida dos papeis de gênero havia garantindo a homens e mulheres a socialização necessária para se adequar aos seus destinos na família. Ainda conforme o autor, quando duas guerras mundiais retiraram, durante anos, grandes números de homens europeus e norte-americanos do mercado de trabalho, abriu-se o espaço para a entrada de mulheres em funções anteriormente fechadas para elas (ROVINSKI, 2004).

Nesse sentido, Judith Beck (2013, p. 23) afere:

A terapia cognitivo comportamental (TCC) além de estar baseada em uma formulação cognitiva, crenças e estratégias comportamentais, também se baseia em uma conceitualização, ou melhor, compreensão do paciente (suas crenças específicas e padrões de comportamentos). A TCC tem sido adaptada a pacientes com diferentes níveis de educação e renda, bem como uma variedade de culturas e idades, desde crianças até adultos com uma idade mais avançada. É usada atualmente em cuidados primários e outras especializações de saúde, escolas, programas vocacionais e prisões, entre outros contextos. É utilizada no formato de grupo, casal e família.

A autora elucida acerca da terapia cognitivo comportamental, aferindo que a mesma deve ser norteada por uma formulação cognitiva e também estratégias comportamentais do paciente. A autora também destaca que a técnica pode ser utilizada em diversos tipos de pacientes com diferentes níveis sociais.

Almeida e Neto realizaram um levantamento sobre as evidências da TCC em recaídas e recorrências nas bases de dados Medline, Biosis, Cochrane, Lilacs e Embase. Foram encontrados 15 ensaios clínicos controlados e randomizados, os quais confirmam a eficácia da TCC como uma importante ferramenta para manutenção. Tais evidências indicam a TCC como potencial alternativa ao uso de antidepressivos na prevenção de recaídas e recorrências (ALMEIDA E NETO, 2001).

Evidentemente, a psicoterapia veio por contribuir com a saúde mental do indivíduo no auxílio às pessoas se sentirem bem e pensar de modo mais claro. Desse modo, a finalidade da terapia comportamental é a promoção da saúde, todavia, tal resultado apenas será alcançado ajudar as pessoas se comportarem melhor, ou seja, fazendo-as desfrutar de comportamentos mais eficientes. Ou seja, os terapeutas comportamentais tentam ajudar as pessoas a controlarem suas maneiras de se comportarem.

Nesse sentido, no que tange à referida intervenção na depressão Skinner (1995, p. 94) elucida:

Algumas doenças atribuídas ao desencorajamento ou ao desespero podem ser aliviadas através do restabelecimento de reforçadores perdidos, e doenças que são decorrentes da hostilidade ou do medo podem ser controladas através da eliminação de consequências aversivas, especialmente as que estão em mãos de outras pessoas. Esses tipos de afirmações não desconsideram os fatores genéticos. A terapia comportamental é limitada a mudanças que podem ser provocadas durante a vida da pessoa.

O autor expõe que para um tratamento eficaz da depressão, deve-se obter um trabalho em conjunto entre médico e psicólogo comportamental, de modo que cada um exerce um papel fundamental no tratamento do paciente. O médico recomendará a medicação adequada ao paciente, o psicólogo terá a figura de apoio, desenvolvimento de habilidades sociais e influência de modo a viabilizar ao paciente relações interpessoais sem dependência.

Dessa forma, Fennel (1997, p. 117) afere:

Na Abordagem Comportamental, a forma mais conhecida para aumentar o repertório perceptivo seria iniciar com atividades simples, fazendo com que o reforçamento seja garantido. E na condição de que as circunstâncias não sejam invariantes e se permita apenas a ocorrência de desempenhos adequados e não dos inadequados. Assim, obtendo-se o fortalecimento de certos desempenhos, em determinadas circunstâncias e não em outras, o cliente aprenderá a observar os fatores relevantes. O mais importante é que o cliente aumente a tendência para agir positivamente sobre o ambiente, em vez de reagir passiva e emocionalmente.

Para a teoria analítico-comportamental, é importante que os pacientes sejam estimulados a fixar objetivos atingíveis, tendo como intenção garantir experiências satisfatórias, obtendo recompensas por atingir as metas propostas por eles mesmos. Isto será alcançado pela abordagem comportamental por meio de um treinamento planejado, que intervirá em déficits de habilidades e da atuação dos pacientes deprimidos (CABALLO, 2003).

O mesmo autor defende as seguintes finalidades da terapia em solução de problemas:

1) contribuir com os clientes para reconhecerem suas dificuldades anteriores e atuais que, causam estresses ou ansiedades, isto é, algo que anteceda e represente uma reação emocional negativa;

2) diminuir gradativamente o grau que essa resposta prejudica as tentativas futuras de enfrentamento;

3) ampliar o campo de tentativas em solução de problemas, que obtenham resultados eficientes, quando o cliente enfrentar situações problemáticas;

4) capacitar os clientes adquirirem habilidades eficazes para, no futuro, serem capazes o suficiente de resolver situações-problema e evitar perturbações psicológicas. (CABALLO, 1996, p. 115)

O referido método engloba uma série de habilidades de enfrentamento obtidas pelo paciente com depressão, as quais fazem o mesmo aprender a emitir respostas a fim de diminuir as perturbações psicológicas envolvidas nesse processo, a técnica é utilizada com o objetivo de instigar à tomada de decisões do indivíduo de modo a contribuir no reconhecimento de dificuldades causadores de estresses e/ou ansiedade.

Desse modo, Oestergaard (2011, p. 70) leciona:

É necessário destacar o papel que a intervenção psicológica pode ter no aumento da adesão terapêutica, na melhoria dos resultados e na diminuição do risco de recaída. A não adesão é considerada um problema no tratamento da depressão, estimando-se que certa de 40% dos indivíduos não toma adequadamente a medicação prescrita. A conjugação da psicoterapia com a farmacologia tem reduzido as taxas de não-adesão e ajuda a manter os indivíduos em tratamento. Para além disso, a psicoterapia produz efeitos que não podem ser conseguidos através de fármacos, como a melhoria da qualidade das relações interpessoais e das estratégias de coping. Dessa forma, a combinação destes dois tipos de intervenção é uma recomendação de primeira linha no tratamento da depressão.

A terapia cognitiva desenvolvida por Beck e seus colegas na Filadélfia é no momento uma das mais amplamente adotadas. Ela compreende um complexo entrelaçamento de técnicas cognitivas e comportamentais. Incluem-se, até certo ponto, intervenções defendidas por outros estudiosos, como a programação de eventos agradáveis e a reavaliação de padrões disfuncionais de comportamento e de atribuições depressivas (FENNEL, 1997).

Skinner (1995, p. 110) afirma que:

Para a abordagem comportamental, o condicionamento operante é visto experimentalmente. Repertórios complexos de comportamento são modelados e mantidos estáveis em frequência por contingências apropriadas de reforçamento. A partir do momento que se reconhece a modelagem, o comportamento anteriormente atribuído a sentimentos e a estados da mente pode ser relacionado a fontes mais simples e mais prontamente identificáveis.

Conforme a análise do comportamento, o ambiente é quem atua primeiro, e de duas formas. A primeira seria como consequência, que acontece quando reforça o comportamento e assim, origina um operante. E a segunda, seria como disposição, quando elicia ou evoca o comportamento (SKINNER, 1995).

Vale ressaltar a importância da terapia cognitivo-comportamental no tratamento de casos depressivos, tendo em vista que a abordagem proposta pela intervenção, atribui o comportamento do indivíduo no ambiente, sendo possível a identificação de contingências que visam punir ou desmoralizar o comportamento do indivíduo.

Nesse sentido, é importante considerar que a depressão é um transtorno multifacetado, portanto, não existe um tipo único de protocolo psicoterápico (ou farmacológico) que funcionará em todos os pacientes ou países. (DOBSON, 2016).

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) enfatiza nove critérios para identificar a depressão, sendo eles: estado deprimido; anedonia; sensação de culpa ou inutilidade excessivas; dificuldade de concentração; fadiga; distúrbios do sono; agitação ou lentificação psicomotora; aumento ou redução significativa de peso; ideias recorrentes de morte e suicídio.

Dessa forma, vale ressaltar que a Terapia Cognitivo-Comportamental possui um relevante papel no tratamento do indivíduo com depressão, configurando-se como uma das mais adotadas. Desse modo, pode-se concluir que a TCC é baseada no poder do pensamento realista, ou seja, na extensão em que se pode conhecer a realidade. No tratamento da depressão, este aspecto tem notada importância clínica, pois ajuda o paciente a considerar as crenças verdadeiras ou não relacionadas aos fatos, auxiliando o julgamento realístico dos fatores que mantêm a doença.