Ideação suicida e o manejo na Terapia Cognitivo Comportamental

O comportamento suicida é um fenômeno complexo que vem crescendo cada vez mais mundialmente. A psicologia vem desenvolvendo estratégias e manejos para estancar essa dor psíquica, auxiliando o paciente a encontrar novos significados para a vida. Discorrer sobre a ideação suicida no meio científico tem sido mais complexo do que falar sobre o próprio suicídio. A ideação está relacionada com aspectos muito subjetivos, particulares e instáveis, com poucos estudos efetivos, geralmente articulados apenas para delimitar uma população para estudo e não para explicar de fato, como e por quê ocorre. Essa dor intensa deixa o sujeito impossibilitado de lutar pela vida e demora muito para chegar até os consultórios de psicoterapia. Essa demora pode resultar em desesperança pela melhora e incorrer na efetivação do ato

A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) se baseia em dois princípios centrais: as cognições e o modo como nos comportamos. O conceito chave da TCC é a interpretação que fazemos de um estimulo ambiental. Este estímulo específico pode moldar o humor, respostas fisiológicas, o que se encadeia com o comportamento a seguir. Essa interpretação que fazemos está intimamente ligada às ideais duradouras, tidas como verdades absolutas, criadas principalmente na infância sobre nós, os outros e sobre o mundo, chamadas de crenças nucleares. Tais crenças podem ser ativadas ou não, dependendo dos eventos e momentos da vida da pessoa. Quando são ativadas, tendem a tratar com certa seletividade as informações, focando em alguns aspectos e desconsiderando os outros, caso contradigam essa ideia central (BECK, 2014).

Na vertente Cognitiva Comportamental, vista como uma abordagem mais estruturada, mais diretiva, que tende a sanar o sintoma com mais imediatismo, vê a desesperança retratada por aquele que idealiza o suicídio como uma cognição, uma crença de futuro sem expectativas, na qual a vida não tem mais um sentido de ser, ou que lhe faltam habilidades para mudar sua realidade, e, portanto, prefere morrer (BECK et al., 1997).

Wenzel et al. (2010) afirma que diante da ideação suicida, a desesperança ativa uma crença nuclear de fracasso diante da vida, impulsionada por diversos reforçadores cognitivos que podem mover o próprio ato suicida. Borges e Werlang (2006) acreditam que nesse caso, há um colapso nos mecanismos adaptativos do indivíduo, visando aliviar o sofrimento.

Simões (2013, p. 37) acrescenta que “é de suma importância que os terapeutas demonstrem uma postura empática, colaborativa e isenta de julgamentos. Portanto, o objetivo da terapia cognitiva não é que o terapeuta aconselhe os pacientes a como abordar melhor os problemas em suas vidas, e sim, proporcionar meios para que os pacientes descubram formas alternativas de interpretar e responder aos problemas em suas vidas, essa meta só poderá ser atingida através de uma postura de aceitação e validação por parte do terapeuta”.

Nesse interim, compreende-se a importância da empatia,da escuta ativa e do acolhimento, não somente para o paciente potencialmente suicida, mas para todos que nos procuram com o desejo de melhorar e/ou se autoconhecer, possibilitando que o progresso na terapia não só sane os sintomas emergentes, mas auxilie na retomada de saúde psíquica e qualidade de vida do paciente.

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