Angústia e Crise: breve reflexão

Angústia e Crise: breve reflexão

Conforme o dicionário, angústia é a "Condição de quem está muito ansioso, inquieto; é um sentimento que gera aflição. Uma inquietude profunda que oprime o coração. É também um sentimento de carência, falta." A angústia etimologicamente quer dizer de um sentimento e uma sensação de sufocamento, que aprisionam, causador de dor profunda e sofrimento. É um sentimento que, em análise filosófica, provém a partir da nossa condição existencial humana. Como seres humanos somos dados a liberdade de poder escolher e essa liberdade por si só nos deixa angustiados! Isso porque até mesmo quando não fazemos uma escolha propriamente posicionada estamos fazendo uma escolha, ou seja, não fazer nada é escolher fazer alguma coisa!

Parece óbvio e até meio redundante, mas essa situação faz com que fiquemos angustiados porque nos obriga ter responsabilidade sobre nossas ações, inclusive sobre nossos nadas. É essa a chamada condição existencial de liberdade humana.

A angústia ocorre frente à liberdade nua e crua de escolhas e possibilidades (JANZEN, 2012)

É o sentimento gerado pela condição existencial da liberdade, das infinitas possibilidades de existência. Por exemplo, a ausência de um projeto básico para sua existência faz com que seja imposta ao homem uma liberdade absoluta, capaz de gerar medo, insegurança, e angústia. O sentimento de angústia às vezes é tão profundo que pode desencadear adoecimentos profundos. Por exemplo, para a associação americana de psiquiatria, na psicopatologia a angústia muitas vezes é tida como sintoma para um diagnóstico psicológico de um transtorno mental, de um adoecimento psíquico. Fazer uma escolha, dentre tantas possibilidades, é extremamente angustiante. Assim como o fato de não escolher e não agir porque é também uma escolha.

Porém, para muitas abordagens da psicologia, a angústia, quando assumida de forma saudável, se apresenta como fator positivo, servindo para a constituição de uma existência autêntica. Ou seja, a angústia pode servir de matéria-prima para ser trabalhada e desenvolvida na terapia, fazendo com que nós nos apresentemos de forma autêntica, promovendo a capacidade de se identificar as diversas possibilidades de escolhas que aparecem na vida e ter responsabilidade sobre essas escolhas, o que permite nos apropriar de nós mesmos e de nossa história.

Define-se crise como o momento em que a pessoa se depara com um obstáculo ao qual não consegue ultrapassar. A crise muitas vezes é causa e consequência de angústia e é também o estopim para uma intervenção clínica. (SUIT, Dafne)

Na filosofia a angústia quer dizer de uma experiência metafísica, que para os filósofos existencialistas, é através da angústia que o homem toma consciência do ser. Um filosofo que é famoso por suas reflexões acerca da angústia e que é tomado como referência da fenomenologia existencial foi Martin Heidegger, que define a angústia como uma condição existencial que nasce da consciência de que não se pode evitar a morte. Outro filosofo muito estudado na humanista-existencial foi Soren Kierkegaard, que define angústia como um sentimento que provoca sensação de ameaça e que é também parte da condição humana. A angústia, para Kierkegaard, é entendida como a relação do eu com o mundo. Quando se entende a existência humana fundada na liberdade sem determinações prévias, a angústia é compreendida na dinâmica do existir humano (PROTÁSIO, 2014).

Outro ponto importante é o fato de que a angústia não tem origem externa, mas exclusivamente interna. Ela relaciona-se ao nada, ao vazio, e por isso é possibilidade: ainda não está determinada. Enfim, a angústia e a crise são fatores que pedem atenção clínica, terapia! Mas mesmo com tanta coisa complicada elas são também matéria-prima que podem nos ajudar a construir melhores e mais saudáveis versões de nós.

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