A Clinica Fenomenológica Existencial

A Clinica Fenomenológica Existencial

A fenomenologia é um campo oriundo da filosofia que foi adaptado na psicologia e serve como ferramenta teórica, embasando a prática da abordagem humanista existencial. O filosofo principal dessa linha fenomenológica é Edmund Husserl e, a partir dessa linha foram pensados os pilares que sustentam a prática terapêutica dessa abordagem.

De maneira geral, filósofos existencialistas são os orientadores fundamentais desta abordagem da psicologia, como Sartre e Martin Heidegger. Um marco axial na fenomenologia existencial é dar atenção ao fenômeno como ele se manifesta. Valdemar Augusto Angerami traz alguns preceitos contemporâneos da fenomenologia:

"O presente, tessitura des dois fios, só existe em função do que se faz e vive da maneira autêntica ou inautêntica. Na fenomenologia, compreende-se o homem enquanto uma teia entretecida com fios provenientes do passado que já não existe e é representado por fatos e vivências recordáveis, e fios que precedem o futuro que ainda não existem, mas é fruto da imaginação." (Valdemar Augusto Angerami).


A postura humanista

O tratamento psíquico, na linha humanista, renuncia a própria superioridade no saber, a toda e qualquer autoridade, e vontade de influenciar. Busca-se um método dialético, que tenta confrontar as averiguações mutuam. Porém, isso só será possível caso permita ao outro a oportunidade de apresentar o seu próprio material da maneira mais completa possível, sem limitá-lo com pressupostos e saberes, mas deixar que ele se manifeste de maneira livre. Assim, o sistema de um pode se relacionar consigo, um com o outro (terapeuta e cliente), pelo que o que vem do outro (cliente) produz em efeito no seu próprio sistema (terapeuta).

De acordo com o dicionário online de português, a fenomenologia quer dizer de um "tratado dos fenômenos; análise comparativa ou estudo descritivo dos fenômenos, de tudo que se pode observar na natureza." Onde, na filosofia, quer dizer da descrição filosófica dos fenômenos, em sua essência aparente e ilusória, observados a partir do contato com os sentidos individuais.
Para E. Husserl (1859-1938), a fenomenologia quer dizer de uma "Metodologia filosófica que sugere uma descrição da experiência praticada pela consciência, sendo suas manifestações analisadas no âmbito da generalidade essencial."

Na perspectiva humanista, a busca por uma terapia resulta exatamente das adversidades que geram algum tipo de sofrimento psíquico, sofrimento este que é singular e não deve ser menosprezado, em que o sofrimento de cada um é ímpar, onde na abordagem humanista, não deve ser posto a comparações mensuráveis. A partir do acolhimento do sujeito que sofre ou está em crise, busca-se dar sentido para sua dor, sem julgamentos e preconceitos, favorecendo, no espaço terapêutico, a liberdade.

“Ser psicólogo significa estar presente diante de um outro que busca um lugar de segurança e liberdade para poder entrar em contato com suas mais escondidas vivencias, histórias, sentimentos e emoções. Onde busca poder se expressar sem ser julgado, retomando seu potencial criativo diante das adversidades vivenciadas.”
SUIT, Dafne A. V. 2020


Cuidado Terapêutico na linha Humanista Existencial

O cuidado terapêutico visa ajudar o paciente a se libertar, e para isso é importante que se desenvolva as habilidades mencionadas, como empatia, autenticidade, maturidade emocional, etc. visando sempre a possibilidade de libertação. Por isso é importante que, em relação à maturidade emocional, não conduza o cliente e não os guie para “seguir seus passos”, mas que auxilie o cliente na construção dos seus próprios caminhos, regido por seus próprios valores. Neste sentido, não é só o terapeuta que age, cliente também atua. Isso diz respeito também do cuidar antecipatório, onde o terapeuta não pode substituir um paciente na responsabilidade pela existência, não podendo estar à frente do paciente em seu desdobramento existencial, mas mediar e caminhar a seu lado. O terapeuta precisa buscar um cuidar que ajude o outro a ser transparente consigo mesmo e livre para sua existência, esse cuidar básico com a existência do outro busca devolver o outro para ele mesmo, onde deve se promover o espaço necessário para o outro existir.


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